De quem são as fotos em preto e branco?
- Daniel Assis

- 3 de jun. de 2025
- 1 min de leitura
Você já parou pra pensar o que acontece quando um fotógrafo vira floresta?
Foi exatamente isso que Sebastião Salgado fez. Depois de décadas registrando guerras, fomes e êxodos, ele decidiu plantar esperança.
Literalmente: plantou mais de 2 milhões de árvores junto de sua esposa Lélia, e regenerou uma área devastada em Minas Gerais que hoje virou o Instituto Terra — um modelo de recuperação ambiental reconhecido no mundo todo.
Mas antes de ser floresta, Salgado foi poeira.
Nas lentes de sua Leica passaram corpos fugindo da Etiópia, garimpeiros soterrados em Serra Pelada, trabalhadores invisíveis em obras titânicas e sobreviventes de genocídios silenciosos. Tudo em preto e branco, porque como ele diz: “A cor distrai”. O que importa é o olhar.
Em Gênesis, seu projeto mais recente, ele virou o jogo: em vez de documentar o fim, mostrou o que ainda pode ser começo. Tribos isoladas, geleiras intocadas, animais em liberdade. O que resta da Terra antes do colapso.
E o ingrediente inusitado?
Salgado fotografa com luz natural, mesmo em condições extremas. Usa longas exposições, muitas vezes sem tripé, e espera. Espera a luz chegar como se esperasse um animal selvagem. Essa paciência visceral é seu segredo técnico mais potente.
Você conhece outro fotógrafo que tenha restaurado um bioma com as próprias mãos?
A dica é: salve o documentário "O Sal da Terra", dirigido por Wim Wenders. É aula de arte, de mundo, de humanidade.
Você já viu alguma obra do Salgado ao vivo?


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